Quando o cliente abre um orçamento de obra, normalmente vê uma planilha enorme com dezenas de linhas e termos como BDI, encargo social, leis sociais, composição unitária. É natural achar que isso é detalhe técnico demais para se importar — e é justamente aí que mora a oportunidade de comparar propostas com critério.
A planilha de orçamento de obra é composta basicamente por três blocos: o serviço a ser executado, o quantitativo desse serviço e a composição de custo unitário. Quando duas construtoras orçam a mesma obra, é raro que cheguem ao mesmo número — e a diferença raramente está no preço, ela está na composição.
Cobramos pelo que se faz, não pelo que se promete. Toda medição quinzenal traz a foto da quantidade executada e o cliente libera o pagamento sobre o que está em campo. Quando o orçamento prevê 220 m² de revestimento e a obra entregou 200, paga-se 200. Simples assim.
Um orçamento honesto pode ser mais caro à primeira vista — porque inclui itens que outras propostas omitem para parecer competitivas: limpeza de obra, transporte vertical, andaime, ART, seguro de obra, encargos legais. Mas é nesse mesmo orçamento que você encontra o número final da obra, e não uma surpresa três meses depois.
“Toda obra honesta começa numa planilha que você consegue ler do começo ao fim sem precisar de tradutor.”
Se você está prestes a comparar propostas, peça que cada construtora envie a planilha em formato editável. Compare composição por composição. Pergunte sobre cada item omisso. E desconfie de qualquer proposta que pareça boa demais — boa demais geralmente é incompleta.